Mesóclises.



Das coisas que a gente aprende a deixar quieto é isso: conversar com um português dá gastura, por motivos de:

mesóclises.

Veja, amo meus amigos portuga. Mas mesóclise é muito Michel Temer. Você conversa com a pessoa como se estivesse lendo a primeira edição da Bíblia de João Ferreira de Almeida.

Eles metem mesóclise em simplesmente tudo, é igual passas no Natal.

Tu entra num café, te perguntam: "tu queres com leite?" Vontade que dá de responder: "lo querei-lo-hey de abundante e transbordante tal brancura em largo, em grande na minha CHÁVENA".

CHÁVENA é xícara. E o pior: eles SABEM que é. Falam chávena de pantim.

Já os mais jovens, sobretudo os da comunicação, são mais globais. Não tem muito essa babaquice de "nossa lingua portuguesa", tão cagando pra isso. Falam inglês, francês, gostam de como articulamos a língua. Mas transitam em dialetos. Conseguem entender a vó e a mim. Tipo a gente, quando conversa dentro da favela, ou vai pra zona sul.

Próxima vez que meterem uma mesóclise eu vou puxar um cachimbo de crack, pra que eles vejam como nós somos selvagens, sem limites e perigosos.

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