ERA UMA VEZ Flamengo.


O Flamengo virou o timão da extrema direita.

Os neonazi, os fascista. As alma encardida. Os que comemoram o gol, dançando sobre 10 corpos de jogadores em cinzas. Os que apoiam Bolsonaro, Witzel, os deputados milicianos, Satanás, Hitler, e quem mais organizar o ódio deles. Se Malafaia vestir a camisa do Flamengo e entrar em campo, eles vão ovacionar. Flamengo é religião.

Do capeta.

Mas é.

Já foi referência.

Foi letra de Jorge Ben.

Porra, Zico, Adílio, Nunes, fazendo a bola rolar, “1967”, Marcelo D2.

Flamengo da massa. Do trabalhador da construção civil, preto e pobre, que pagava 2 cruzeiros novos pra ficar na geral. Geral, a única diversão além da cachaça morna na garrafa em sua mão. Já nem era sobre o Flamengo ganhar, ele ganhando ou não, estar ali, com uma sensação de ser igual aos demais, sensação de pertença, como os letrados dizem,

Isso era um abraço na alma. Cosme Rímoli, jornalista do R7 escreveu um texto onde elenca 7 motivos pelos quais, segundo ele, o Flamengo “se tornou o clube mais odiado do Brasil”.

Eu li mais uns motivos que outros, mas percebi que o nome de Rodolfo Landim, atual presidente, é em si o maior dos motivos pelos quais o Flamengo e a SS nazista causam repulsa similar.

Emocionados virão dizer que “nem todo flamenguista”, “você é sensacionalista”, “você quer desenhar uma suástica no Flamengo igual fez no desenho onde você foi esculachado pela Folha”, o que, a bem da verdade, não deixa de ser uma boa ideia. Mas a verdade é que a comparação se faz, não porque flamenguistas tenham sequer noção do índice de Mein Kempf, porque não tem, mas o CLUBE, a instituição, o CNPJ, protagoniza hoje um dos arcos mais deploráveis que uma instituição de desporto pode desenvolver.

Rímoli afirma que a “ganância, insensibilidade e crueldade” centralizadas em Rodolfo, fez que o clube seja odiado por jornalistas, público e profundamente questionado até por flamenguistas.

Cria de Eike Batista, foi um dos capachos do empresário que foi em cana em Bangu depois de mil tana ninas de tramóia. Mas como não sofreu o baque do chefe, manteve a postura babaca e a sede por dinheiro, mesmo sendo um dos mais ricos do mundo. Rímoli conta a história que no Mundial de Clubes que o Flamengo venceu, os JOGADORES queiram dividir SEUS PRÊMIOS EM DINHEIRO com os FUNCIONÁRIOS. O porra do Landim proibiu. Disse que os funcionários iam ganhar muito dinheiro. Esse é o naipe do coisa ruim.

Tipo, você ganha um dinheiro fruto do seu trabalho, e quer dividir com a tia da limpeza, vem teu gerente e proíbe porque “ela vai ter muito dinheiro”. Cobra naja.

Mas o Rímoli não é o primeiro a dizer isso. No El País eu encontrei pelo menos duas reportagens que expõem o comportamento subserviente e ganancioso de Landim. Ele dá camisas do Flamengo pra Bolsonaro, Frota, mimos pra Mourão, o deputado miliciano que quebrou a placa de Marielle, ele se abriga, como um capacho, que é o que ele sabe ser, debaixo dos braços dos políticos de extrema-direita. E aos poucos, o Flamengo foi se tornando esse lugar azedo, difícil de defender. E de reconhecer.

Me parece que é preciso dizer “Brasil acima de tudo” e ter uma camiseta do Flamengo pra identificar os que estão destruindo a democracia brasileira, caminho bem diferente do Corinthians de Sócrates.

E esse roubo de símbolos não é exclusividade brasileira. Em Portugal, o deputado de extrema direita faz a mesma coisa com o time de futebol popular, o Benfica. Aliás, ele foi comentarista esportivo, e se elegeu com a torcida do Benfica.

É a mesma lógica de igreja: você usa um discurso simplório, populista, raso, para alcançar homem heteronormativo, carregado de ódio por dentro, frustrado, desempregado, voto que pode ser jogado no lixo, mas que alguém vai lá e chama pra si. E pra garantir fidelidade, mergulha no esgoto dos valores desse grupo. Daí emergem: homofobia, sexismo, racismo, antissemitismo, antimigracionismo, autoritarismo, tudo. O que mais um homem fracassado quer ouvir, senão que ele é um injustiçado? E a culpa é dos gays, dos pretos, judeus, mulheres, migrantes, etc?

Um clube desportivo pode cumprir o mesmo papel que uma igreja, que dialoga muitas vezes com o mesmo grupo, E as esposas desses homens. Porque a igreja é o clube onde mulheres heteronormativas e que aceitam esse acordo de serem subjugadas, se sentem mais a vontade para costurarem suas ilusões.

E ninguém esquece, a não ser Landim, dos 10 jovens jogadores mortos no clube do Flamengo. Ele está entrando com todos os recursos, se nega a pagar uma indenização por um ERRO do clube. Se olhar o quadro geral com cuidado, vai ver que os políticos que apoiam Landim também são contra a indenização, e nem se pronunciam sobre a morte dos jovens. Nem Bolsonaro, nem mesmo Frota, que hoje paga de lúcido, mas ele aceita os regalos e sem dúvidas garante sua lealdade – e digo mais – isso não é por puro “amor a camisa”. Passados alguns anos, vamos ver que de repente todo mundo recebeu um cascalho do Landim.

E aí reside uma parada que, essa sim, acho que é real, mais real que “extrema-direita”- o jogo de interesses políticos. O PMDB se recriou. Tudo isso que a gente tá vendo é o PMDB que se espalhou e se recriou. No fundo, ninguém nem entende uma porra de nazismo. Só um safado ou outro dentro dos movimentos deles. Mas o que eles querem mesmo é grana, reserva de mercado e poder. Botam a máscara que for preciso pra se venderem. E isso, em duas mãos. Dos políticos para a torcida do Flamengo.

Do clube, pra Brasília. Relações de poder e corrupção de pessoas que tem uma coisa em comum:

não acreditam, nem no futebol, nem na política.

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