Crase

Veja bem, foi bom não ter vencido o Jabuti de 2017. Porque se vencesse, eu seria cobrado pelas pessoas sobre o correto uso da crase, e do porque junto e do por que separado. Fora outras regras que, se não cumprirmos, as pessoas começam a gritar e a mão treme, derrubando o capuccino e ameaçam bater em você com o cachecol. Porque (junto?) pode morrer 22 crianças no Rio de Janeiro baleadas, mas se tu erra uma crase ou uma vírgula, elas fazem vigília na porta da tua casa, com faixas e cartazes. Erradores de crase não passarão.

Tudo vegano. Certeza.



Quem venceu foi um sujeito chamado Ignácio de Loyola Brandão. Não é Inácio. Inácio é o nome do teu tio que mora em Tomás Coelho, nos prédio dos bancário. Inácio é nome de diácono da igreja batista em Coelho Neto. Inácio é crente, e tem uma portinha pra venda de alho, abacate, corda de estender roupa. Seu Inácio eletricista, ex-funcionário da Telerj. Joga dama pra caralho.

Não. IGnácio, porra. E pior: DE LOYOLA. Isso é nome cunhado no século 16. O cara deve ser desse tempo, porque tem inclusive uma fazenda cheia de Jabutis. Ele deve ganhar Jabutis desde 1470, ano em que Camões lançou sua primeira crônica no educandário Exploradores de Maria.

Deve ter nome de rua na Espanha. Rua Ignácio de Loyola. Avenida Ignácio de Loyola. Loyola é um nome tobogã. Você fala, dá uma volta no ar, e mergulha nas águas frias mas cintilantes dos balneários de Mônaco.

Perdi pra esse truta aí. Mas me livrei de apanhar na rua por causa de crase.

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